29 maio 2019

5 motivos para inserir programação e robótica no currículo escolar

5 motivos para inserir programação e robótica no currículo escolar

Programação e robótica

O ensino de programação está relacionado ao ensino de robótica (por exemplo, para criar orientações para que os robôs se mexam). Porém, há muitas vertentes a serem exploradas quando estamos trabalhando a programação – incluindo de forma offline. O ensino pode inclusive se iniciar de forma desplugada (aquele realizado longe de um computador) e abarcar muitas variáveis do currículo. No ensino através de um programação, muitas outras possibilidades estão à disposição:  trabalhar gifs, narrativas digitais, jogos… e a programação para ser repassada para a placa programável, aquela que dará vida a um protótipo.

1 – Desperta para a aprendizagem criativa

Ambos são capazes de alavancar a aprendizagem, tornando-o envolvente e significativo. Isso acontece porque são formas de aprender que permitem que a criatividade e a inventividade estejam presentes em todo o momento. Não é algo só para as exatas: programação e robótica podem ser trabalhadas em qualquer área do conhecimento e de forma interdisciplinar.

2-  A robótica ajuda a compreender a programação

Ao dar vida aos protótipos, a lógica de programação (que parece ser algo abstrato), ganha uma outra percepção. Desenvolver seus próprios protótipos permite aos alunos compreenderem de forma lúdica o que está por trás dos funcionamentos dos objetos. Esse encantamento vai além do simples “aprender na prática o funcionamento de um algoritmo”. Ele permite que os estudantes compreendam como a lógica da programação se transforma em projetos reais.

3 – A robótica auxilia a compreender o mercado de trabalho

Já vivemos a indústria 4.0. Trabalhar a robótica é oportunizar que os alunos tenham possibilidade de se adaptar a um mercado que cada dia está mais tecnológico e para que possam ocupar boas posições. Há vivência, ainda na Educação Básica, de competências necessárias ao mundo do trabalho, como colaboração, empatia, resoluções de problemas. O desenvolvimento dessas competências permite que eles não sejam apenas consumidores, mas também produtores de tecnologia.

4 – Desenvolve as competências socioemocionais

Por si só, o ensino de programação e robótica tem como premissa a colaboração, a troca de ideias, a resoluções de problemas para desenvolver projetos e avançar com os desafios que surgem ao longo do percurso. Os alunos terão de resolver conflitos, trabalhar com questões e valores para avançar em seus protótipos, aprendendo a descordar e a lidar com angústias, frustrações, divergências de opiniões, ansiedade…

 5 – Ajuda a desmitificar o uso das tecnologias.

Precisamos compreender que a tecnologia não é um fim e sim o meio. Ao trabalhar com projetos mão na massa, estamos olhando a tecnologia por outro prisma ao trabalhar com problemas reais (como a utilização por uma questão social).

Fonte – https://novaescola.org.br/conteudo/17563/5-motivos-para-inserir-programacao-e-robotica-no-curriculo-escola

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20 maio 2019

Adoção do 5G pode atrasar devido sanção dos EUA contra Huawei

Adoção do 5G pode atrasar devido sanção dos EUA contra Huawei

Os Estados Unidos apertaram sua ofensiva na guerra comercial contra a China, obrigando grandes grupos norte-americanos, como a Google, a Intel e a Qualcomm, acessarem o suporte de tecnologia para a gigante Huawei e outras companhias chinesas. Isso gera uma série de consequências, das quais a que maior preocupação fica por conta a chegada do 5G — a Huawei é líder no fornecimento de equipamentos de rede para a próxima geração de internet móvel.

Vale destacar que a Huawei não somente é a maior fabricante de infraestrutura como distribui componentes vitais para 5G para a Qualcomm, a Intel e a Micron. Segundo a firma de pesquisa de mercado Gavekal, os estadunidenses correspondem a ? da cadeia de fornecimento da companhia asiática, que também vende seus modems 5G para outras fabricantes, como a Samsung e a Apple.

“Isso pode atrasar a cadeia de suprimentos da Huawei nos Estados Unidos e potencialmente atrasar o 5G na China”, disseram Edison Lee e Timothy Chau, analistas da corretora Jefferies. Eles classificam o cenário como um “pesadelo” para a adoção do novo sistema.

O mundo todo deve sentir esse atraso

Além dos contratos na China, a Huawei assinou dezenas de outras parcerias comerciais com o 5G em todo o globo, incluindo 25 na Europa e 10 no Oriente Médio. Pode ser mais difícil cumprir os objetivos firmados nessa documentação se chinesa não puder usar as peças dos fornecedores norte-americanos.

Analistas acreditam que a Huawei está atualmente mais bem posicionada para contornar a proibição aplicada por Trump. Embora esteja na infraestrutura de um considerável número de pequenas operadoras de telefonia móvel no interior dos Estados Unidos, a companhia vem sendo “observada mais de perto” pelo governo ianque desde 2012, quando começaram as acusações de espionagem. Desde então, ela vem se preparando para interromper e diversificar a cadeia de abastecimento.

“A proibição vai desacelerar a adoção do 5G e, eventualmente, será prejudicial para operadoras e consumidores de telecomunicações em todo o mundo”, prevê Charlie Dai, analista da empresa de pesquisa Forrester. A expectativa para a chegada do 5G em vários países ainda está mantida para 2020 — mas o que estaria disponível no início do ano pode ficar para bem mais tarde, por exemplo.

“Restringir a Huawei de fazer negócios nos Estados Unidos não tornará o país mais seguro ou mais forte; em vez disso, isso servirá apenas para limitá-los a alternativas inferiores, porém mais caras, deixando-os atrasados ??na implantação 5G”, afirmou a Huawei.

Outras questões importantes

Bem, como já dissemos nas outras matérias, os aparelhos Huawei existentes vão continuar operando alguns serviços básicos da Google, como Gmail e o Google Play. Caso nada mude, o suporte deve continuar cerca de mais um ano e não espere por atualizações de segurança ou até mesmo a chegada do Android Q.

O plano B da Huawei envolve um sistema operacional com base no que já foi alcançado com a interface EMUI. Como a companhia monta seus próprios chipsets para smartphones com a subsidiária HiSilicon, é bem possível que a companhia já tenha acumulado conhecimento suficiente para integrar bem hardware com software — o problema maior aqui é atuar fora da China, onde a empresa terá que encontrar parceiros locais em cada região que for atuar, já que é difícil fazer com o público deixe o Android para aderir à sua alternativa.

Por enquanto, a Honor, subsidiária de sucesso da Huawei na China, não deve ser tão afetada, porque ela tem uma rede de suprimento toda baseada nos arredores da matriz. Há ainda a espera pela decisão da Microsoft, que deve seguir as ações da Google mas não bateu o martelo — existem muitos modelos de laptops da Huawei com Windows 10.

Fonte: https://www.tecmundo.com.br/mercado/141502-adocao-5g-atrasar-devido-sancao-eua-huawei.htm

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16 maio 2019

Medida provisória quer simplificar a vida dos empreendedores.

Medida provisória quer simplificar a vida dos empreendedores.
Com a MP da Liberdade Econômica, o Governo Federal quer que os empresários brasileiros não enfrentem uma maratona para conseguir autorização para empreender.
Burocracia é uma expressão que não sai cabeça de empresários de todos os setores da nossa economia. E não é para menos, já que o Brasil está lá embaixo no ranking de países com melhores ambientes de negócios no mundo. O Governo Federal mandou para o Congresso uma medida provisória para simplificar a vida dos empreendedores.
São pessoas como Hannah Giovana, que montou um ateliê de costura em casa. Ela tirou o registro de MEI, mas não foi atrás do alvará permanente de funcionamento do negócio. “O provisório já acabou em 180 dias. O permanente eu ainda não tenho, porque eu ainda não tive tempo pra isso. Na verdade, porque é muita burocracia”, afirma.
Em Diadema, onde Hannah trabalha, existe um programa que facilita a vida do empreendedor, o Via Rápida Empresa. Mas isso é exceção em um país cercado de empecilhos.
Com a chamada MP da Liberdade Econômica, o Governo Federal quer que os empresários brasileiros não enfrentem uma maratona para conseguir autorização para empreender. “Ela aponta pra uma direção de maior liberdade, de maior facilidade de fazer negócio, mas também traz bastante responsabilidade para o empreendedor, que passa a ser um ator mais relevante na sociedade brasileira”, explica o professor de empreendedorismo da FGV, Newton Campos.
Pela medida, não é mais necessário nenhum tipo de “ato público de liberação da atividade econômica”, como licenças e alvarás, para “atividades de baixo risco”, como ateliês de costura, sapatarias ou lojas de roupa.
A medida provisória introduz uma grande mudança na relação entre empresas e o governo. É a presunção de que os atos do empresário são de boa fé. Dúvidas na interpretação do direito devem ser resolvidas, respeitando a autonomia dele.
“Que o estado pressuponha que o que você diz é verdade, e que se você não disse a verdade, você pagará pelos seus atos depois. É um passo bastante ousado também de cidadania”, afirma Newton.
A medida também estabelece que nenhuma licença poderá mais ser exigida, enquanto a empresa estiver desenvolvendo ou testando produto ou serviço sem riscos elevados. É importante lembrar que cada município ainda tem competência para fazer leis específicas. Mas, na ausência delas, vale a regra geral da MP.
Para o professor Newton, a medida é um primeiro grande passo, que aproxima o Brasil de países com os melhores ambientes para negócios no mundo. Segundo ele, a lei facilita a formalização, já que a pessoa que quer crescer, se tornar um médio empresário, precisa ser formal.
As mudanças já estão valendo. Agora, o Congresso tem até o final de agosto para aprovar e transformar a MP em lei. Caso isso não aconteça, a medida perde a validade.
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07 maio 2019

Android Q gera QR Code que permite login fácil na sua rede Wi-Fi

Android Q gera QR Code que permite login fácil na sua rede Wi-Fi

Cansado de ter de escrever a senha do seu Wi-Fi toda vez que parentes ou amigos visitam sua casa? Esse método de compartilhar os dados da rede está muito perto de ser extinto com a chegada do Android Q. Isso porque o novo sistema operacional do Google traz um recurso muito mais prático: e tudo só depende de um QR code.

Com a nova versão do Android, é possível gerar um QR code com as credenciais da rede Wi-Fi. Os convidados, então, podem escaneá-lo com o aplicativo de câmera do telefone para se conectar à rede. E o melhor de tudo é que não é necessário acessar manualmente os dados da conexão, diferentemente do que teria de ser feito com aplicativos de terceiros.

O Android Q também vai permitir adicionar dispositivos inteligentes domésticos — incluindo aparelhos com internet das coisas (IoT) — à rede Wi-Fi por meio de um QR code que pode ser escaneado com a câmera no Android. Ah, o aparelho precisa estar habilitado para o padrão Wi-Fi Easy Connect da Aliança Wi-Fi.

Para criar um QR code para uma rede Wi-Fi no Android Q

  • Vá a Configurações, Rede e Internet, depois procure o nome da rede Wi-Fi e toque na engrenagem à direita do texto.
  • Na janela Detalhes da Rede, toque em Compartilhar (à direita).
  • Insira a senha para gerar um QR code com o nome e a senha do Wi-Fi.

Não parece existir uma maneira de salvar o código QR, mas é possível fazer uma captura de tela e mostrá-la no telefone para os convidados da casa.

Para escanear o código e entrar em uma rede

  • Abra o aplicativo da câmera do Android.
  • Ative a função “Lente” em Configurações. Aperte “Ativar câmera” para usar a “Lente”.
  • Em seguida, posicione o visor da câmera sobre o QR code e toque no código.
  • Quando o nome da rede aparecer abaixo do QR code, toque nele para se conectar à rede Wi-FI.

No Android, clique em “Adicionar rede” na parte inferior das configurações de Wi-Fi para escanear um QR code. O aplicativo Câmera pode escanear os códigos quando se ativa a “Lente”.

Se estiver usando um iPhone ou um iPad com iOS 11

  • Abra o aplicativo da câmera do iOS.
  • Posicione o visor sobre o QR code — quando a câmera reconhece o código, aparece uma notificação.
  • Toque na notificação para se juntar à rede Wi-Fi.

No iPhone ou no Android, depois de tocar na notificação, o convidado já está na rede Wi-Fi. E o melhor: sem digitar uma única senha.

Fonte: https://olhardigital.com.br/noticia/android-q-gera-qr-code-que-permite-login-facil-na-sua-rede-wi-fi/85495

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29 abr 2019

Racionalizar e priorizar: os eufemismos escolhidos pelo governo para vencer a falta de dinheiro.

Racionalizar e priorizar: os eufemismos escolhidos pelo governo para vencer a falta de dinheiro.

Responsáveis por inovação têm muitas ideias para fazer o país avançar no segmento de tecnologia. E garantem que a racionalização dos processos e a priorização de ações são suficientes para conseguir o financiamento necessário. Será?

Racionalizar parece ser o verbo mais querido no governo federal. Pelo menos é isso que dois representantes ministeriais responsáveis por inovação dão a entender –  especialmente quando o tema é tecnologia e inovação. Paulo Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e Luciano Cunha de Sousa, coordenador-geral de Tecnologias Inovadoras do Ministério da Economia, afirmam que entre as principais medidas de fomento à inovação no país está a racionalização dos processos.

Segundo Alvim, existe uma crise fiscal em curso no país e o orçamento atualmente disponível — que foi definido na gestão passada — deve ser administrado dentro dessa realidade. “Nesse contexto, é preciso ter claro que, para garantir o futuro, é essencial investir em educação, ciência e tecnologia”, diz. E como fazer isso, diante de tantos cortes, especialmente em educação? “Deve-se buscar descontingenciar alguns recursos, bem como encontrar fontes alternativas de financiamento.”

Basicamente, então, não há dinheiro para as ações necessárias – pelo menos por enquanto. Alvim explica que, com essa racionalização, é provável que se encontrem fundos para tal. E que, aí, é necessário priorizar o que é mais importante. “Inovação não é uma moda. É o único caminho para o desenvolvimento. Então, racionalizar e priorizar são ações essenciais para que o ambiente se torne favorável. E precisamos agir rápido: estamos na segunda década do século 21 e ainda não temos uma economia moderna.”

Integração e transversalidade

Esse processo passa pela convergência de ações, propósitos e escolhas em diferentes ministérios. “Temos de saber aonde queremos chegar para podermos ir nessa direção”, destaca Alvim. Sousa, do Ministério da Economia, concorda. “Se não investirmos em ciência e tecnologia, não teremos como competir mundialmente”, ressalta. Ele diz que o sistema tem recursos, mas que é preciso racionalizar seu uso e priorizar ações voltadas à melhoria da economia como um todo.

Sousa afirma que o setor de tecnologia é o primeiro de uma lista de segmentos que o ministério trata como prioritários. “Um dos atos mais importantes é a criação do Marco Legal de Startups, que entra em consulta pública na segunda-feira (30). A ideia é tornar as regras mais simples – e claras – para esse tipo de empresa.” Isso vai tornar os procedimentos menos burocráticos e oferecer mais segurança jurídica para quem investir nesses empreendimentos. “O Congresso nos prometeu votar rapidamente para que entre em vigor ainda neste semestre.”

Essa transversalidade entre órgãos distintos é, segundo eles, fundamental para que a engrenagem de fato funcione. “Enquanto o MCTIC se concentra na excelência acadêmica e no desenvolvimento do conhecimento, o Ministério da Economia se concentra em como isso pode ser aplicado nas empresas”, avalia Sousa. “Existe hoje nas universidades uma cultura de que é ruim usar o conhecimento produzido com dinheiro público para ganhar dinheiro no mercado. Isso precisa mudar para que todos ganhem.”

Uma das formas de fazer projetos de inovação e tecnologia ganharem a atenção de empresas – e, consequentemente, fomento por meio de investimentos – é com a ajuda de consultorias especializadas. “As organizações precisam de ajuda para identificar projetos e saber como usar os fomentos”, conta Rafael Costa, diretor técnico da F. Iniciativas. “Assim, as companhias podem fazer uma melhor gestão de financiamento de pesquisa e desenvolvimento.”

Fonte: https://olhardigital.com.br/

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23 abr 2019

Atualização de abril do Windows, agora afeta os antivírus.

Atualização de abril do Windows, agora afeta os antivírus.

Foram registrados problemas de incompatibilidade, travamento e congelamento total do sistema para alguns usuários que usam soluções da Avira, Avast, Sophos e, mais recentemente, McAfee.

A atualização de segurança do Windows, lançada em 9 de abril, está causando diversos problemas de inicialização e de travamento em diversas versões do sistema operacional e agora, está entrando em conflito com alguns programas antivírus. A cada momento, novas incompatibilidades são descobertas dentre os programas mais populares, e que estão enfrentando problemas. O Avira, Avast, o Sophos e, mais recentemente, o McAfee entraram na lista de softwares que estão “brigando” com o update.

Não há como detectar o modo como a máquina será afetada pela atualização até que seja feita uma tentativa de login e, nesse momento, o sistema fica paralisado. Não se sabe se o Windows parou de funcionar ou ele está funcionando de maneira bastante lenta. Alguns usuários relataram que conseguiram efetuar o login após várias horas. Aparentemente, as versões afetadas são o Windows 7, 8.1, Server 2008 R2, Server 2012 e Server 2012 R2.

Iniciar o computador através do modo de segurança continua sendo uma possibilidade, já que esse modo não foi afetado. O conselho atual é usar esse método de inicialização para desabilitar o antivírus e permitir que as máquinas funcionem normalmente. A Microsoft está bloqueando a atualização para alguns computadores que possuem programas conflitantes.

O Avast recomenda deixar os sistemas na tela de login por cerca de 15 minutos e, em seguida, reiniciar o sistema. A empresa ainda disse que a causa do problema pode ser culpa da Microsoft. Isso porque, ao que parece, houve uma alteração no CSRSS do Windows, que é um diretório que coordena e gerencia os aplicativos do sistema operacional.

Algumas das empresas de antivírus estão lançando correções para o problema, o que pode significar  que a falha de compatibilidade está nesses softwares e que elas estão sendo reveladas agora. Enquanto a Microsoft não se pronunciar oficialmente sobre o assunto, é difícil saber qual é a real causa.

Fonte: https://olhardigital.com.br/fique_seguro/noticia/atualizacao-de-abril-do-windows-agora-afeta-os-antivirus/84983

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22 abr 2019

As pedras no caminho da agenda liberal de Paulo Guedes

As pedras no caminho da agenda liberal de Paulo Guedes

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com uma ampla agenda liberal para a economia, que prometia reduzir os gastos públicos e a interferência do Estado no mercado. Após poucos meses de governo, decisões do presidente e as complicações na articulação no Congresso têm colocado em xeque a força do ministro da Economia, Paulo Guedes, para implementar sua plataforma liberalizante.

De um lado, o receio de uma nova greve de caminhoneiros, movimento que provocou desabastecimento no país um ano atrás, levou o presidente a suspender bruscamente o aumento do preço do diesel anunciado pela Petrobras, sem dialogar previamente com o ministro.

Na tarde da terça-feira, 16 de abril de 2019, Bolsonaro se reuniou com ministros e executivos da estatal para debater a política de preços.

De outro lado, a indisposição para negociar apoio com congressistas, prática taxada de “velha política” por Bolsonaro, tem dificultado o andamento da principal agenda do governo, a reforma da Previdência.

Em vez disso, os parlamentares avançaram nesta segunda-feira com outra proposta de alteração da Constituição para tornar obrigatória a liberação de recursos das emendas parlamentares coletivas para investimentos em seus Estados, medida que contraria os planos de Guedes de reduzir a rigidez do Orçamento federal.

A falta de articulação no Congresso pode ainda atrapalhar outra medida do ministério da Economia – a decisão de reajustar o salário mínimo em 2020 apenas pela inflação, acabando com a regra adotada pelos governos petistas de conceder aumento real. A proposta – que tem impacto de reduzir o aumento dos gastos públicos – foi enviada nesta segunda para análise dos parlamentares.

A seguir explicamos o que está em jogo em cada uma dessas disputas para a agenda liberal de Guedes.

O dilema do diesel

Desde 2017, no governo Michel Temer, a Petrobras passou adotar uma política de preços livres para os combustíveis no país, repassando às distribuidoras as variações causadas pelas mudanças na cotação do petróleo no mercado.

Antes disso, o governo de Dilma Rousseff (PT) por diversas vezes determinou que a Petrobras mantivesse os preços congelados, mesmo em períodos de valorização do produto, medida que ajudava a conter a alta da inflação. O problema, segundo críticos dessa política, é que isso obrigava a Petrobras a subsidiar a venda de combustíveis no país, amargando perdas.

Entre 2014 e 2017, a Petrobras acumulou mais de R$ 70 bilhões em prejuízos, resultados que são atribuídos não só aos desvios por corrupção revelados pela Operação Lava Jato, mas também por causa da política de preços controlados. No ano passado, a estatal voltou finalmente ao azul, com resultado de R$ 25,8 bilhões.

Paulo Guedes e o atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, entendem que manter a política de preços livres é essencial para fortalecer a empresa e manter seu caixa saudável, viabilizando assim novos investimentos. No dia seguinte à intervenção de Bolsonaro, as ações da empresa desabaram 8%, uma perda de R$ 32,4 bilhões em valor de mercado.

Na segunda-feira, 18 de abril, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi direto ao questionar os efeitos da decisão sobre a autoridade do ministro da Economia.

“Se ele vai mudar essa política (de preços), passa a ter o risco de um segundo problema: como fica o ministro Paulo Guedes no meio de uma política intervencionista, ele sendo um dos maiores liberais que o Brasil tem?”, questionou, durante um evento em São Paulo.

O presidente justifica sua decisão por causa do risco de paralisação dos caminhoneiros, movimento que em maio do ano passado causou grave crise, com desabastecimento e retração da economia. A categoria diz que não consegue suportar os seguidos reajustes do diesel.

Na reunião desta terça, os executivos da Petrobras tentarão convencer o presidente da necessidade de liberar os preços. Em apoio aos caminhoneiros, pela manhã o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 500 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a categoria, com objetivo de financiar troca de pneus e manutenção de veículos.

Para o cientista político do Insper Carlos Melo, a ameaça de greve dos caminhoneiros de fato demanda cuidado. Ele considera, no entanto, que o modo como o presidente suspendeu o aumento, de forma abrupta e sem consultar os ministro da Economia e de Minas e Energia (Bento Albuquerque) foi muito negativa. Na sua visão, o ideal era ter convocado uma reunião antes de tomar qualquer decisão, e não depois.

“É claro que o potencial (de impacto) de uma greve é grande, preocupa, mas não pode ser algo tratado com atropelo. O método frequente (de trabalho) do presidente tem sido atabalhoado e pouco institucional”, avalia o professor.

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, considera que o episódio traz “sinais muito negativos”, mas “não surpreende”. Ela ressalta a diferença de contexto atual com a de um ano atrás, quando os caminhoneiros pararam o país.

Naquele momento, recorda, Temer era um presidente fraco e o movimento acabou ganhando apoio da população, muito insatisfeita com o governo. Para encerrar a paralisação, o governo anunciou cerca de R$ 10 bilhões para subsidiar o diesel, além de reajustes em prazos pré-definidos.

“Não acredito que haveria esse apoio popular agora. Mas nem teve negociação (antes de suspender o aumento), Bolsonaro cedeu”, crítica Latif.

Na sua avaliação, o descompasso entre o presidente e o ministro da Economia não surpreende porque já durante a campanha havia sinais trocados por parte dos dois, por exemplo na discussão da amplitude das privatizações que o governo deve adotar.

“O Bolsonaro não é reformista nem liberal, então esse tipo de coisa vai continuar acontecendo. Os sinais nesse episódio são muito preocupantes porque não se trata de uma questão lateral. A intervenção nos preços da Petrobras impacta diretamente a saúde da empresa”, disse também.

Reforma da Previdência x PEC do Orçamento Impositivo

Enquanto o Planalto está às voltas com o dilema do diesel, no Congresso a agenda de Paulo Guedes continua atravancada. Nesta segunda-feira, o governo sofreu nova derrota quando a maioria da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara decidiu analisar uma proposta que engessa ainda mais o Orçamento federal antes de votar o relatório sobre a reforma da Previdência.

Trata-se de uma proposta de alteração da Constituição para tornar obrigatória a liberação de recursos para as emendas parlamentares das bancadas estaduais, medida que pode levar a um aumento de R$ 1,7 bilhão nas despesas obrigatórias da União em 2020, segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente.

A proposta vai na contramão do que defende Guedes, que deseja reduzir as despesas obrigatórias do governo, e dificulta ainda mais a missão de trazer a contas do governo federal para o azul (a União tem déficits crescentes desde 2014). Ela foi aprovada na CCJ inclusive com apoio do PSL e agora será analisada em uma comissão especial, antes de ir à plenário.

Com isso, ficou atrasado mais uma vez o cronograma da reforma da Previdência, que deve ser votada na CCJ apenas depois da Páscoa. Devido à desorganização do governo no Congresso, Zeina Latif considera que não será mais possível aprovar a reforma no primeiro semestre deste ano.

“Não acredito que foi uma derrota de Paulo Guedes, mas foi um recado do Congresso para o Bolsonaro. Como ele crítica o ‘toma lá da cá’, então os parlamentares estão tirando do governo o poder de liberar ou não as emendas”, analisa Latif.

Além de não conseguir montar uma base parlamentar sólida, Bolsonaro também dificulta o trabalho de Guedes ao fazer uma defesa pouco enfática da reforma da Previdência, observa Carlos Melo. O próprio Guedes reconheceu na semana passada que o presidente “não está apaixonado” pela reforma.

“A base está muito fraca. O presidente se elegeu sozinho, sem ampla articulação política, e o PSL é um partido muito inexperiente. Além disso, há uma postura meio blasé do Bolsonaro em relação à reforma”, afirma.

“Uma agenda difícil como essa, que enfrenta resistência também de grupos de apoio do presidente, como militares, promotores, juízes, precisa de uma atuação cotidiana dele, de diálogo com a sociedade”, acrescenta.

Reajuste do salário mínimo

O governo enviou nesta segunda ao Congresso a proposta de Orçamento para 2020 com previsão de salário mínimo de R$ 1.040, o que representa alta de 4,2% em relação ao atual (R$ 998).

Com isso, Bolsonaro rompeu com a fórmula criada pelos governos petistas segundo a qual o reajuste do salário mínimo levava em conta o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes mais a inflação do ano anterior.

Sem essa regra, aplicada desde 2004, o piso de remuneração do país seria hoje de R$ 573 em vez de R$ 998. Se a regra fosse aplicada para o ano que vem, subiria mais R$ 11 em relação à proposta do governo Bolsonaro para R$ 1.050,89.

Economistas defensores da regra apontam que o aumento real dado ao salário mínimo nos últimos anos foi importante para reduzir pobreza e desigualdade de renda.

Já um relatório recente do Banco Mundial diz que a valorização do salário mínimo mesmo durante a crise tem sido negativa para a geração de emprego formal, afetando em especial os mais jovens. “Numa situação de crise, como a de 2015 e 2016, esse alto custo traduziu-se em um aumento do desemprego e da informalidade”, diz o relatório.

Além disso, como o salário mínimo é o piso para as aposentadorias no país, seu reajuste afeta diretamente os gastos da Previdência. Por isso, a medida também é considerada importante por Guedes para conter o rompo nas contas públicas.

A mudança, porém, pode ser barrada, se não houver uma melhora na articulação política.

“Tem tudo para ser rejeitada no Congresso esta proposta do mínimo”, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo o líder do partido do presidente no Senado, Major Olímpio (PSL-SP).

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47954660

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